terça-feira, 28 de outubro de 2008

Indicadores de Qualidade em Educação - Gestão Escolar Democrática

Até que ponto os pais e a comunidade têm acesso às decisões tomadas pela direção das escolas em que os filhos estudam? Esta é uma pergunta chave para quem pretende verificar o nível de qualidade da educação oferecida em uma instituição escolar, já que uma das dimensões apontadas pela publicação Indicadores de Qualidade em Educação é exatamente a gestão escolar democrática. Este item envolve não apenas a participação no conselho escolar, mas também em atividades promovidas pela escola e o conhecimento de como a escola está gastando os recursos que recebe.

Para se ter uma idéia do que este acompanhamento pode evitar, atualmente 20 municípios paraibanos estão até agora sem receber recursos para a merenda escolar porque as verbas estão retidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que não recebeu ainda a prestação de contas relativas ao ano passado. Com uma participação efetiva da comunidade e uma cobrança sistemática para que tudo funcione como previsto, será mais difícil que este tipo de situação se repita.

Além disso, a participação nos rumos da escola é um primeiro exercício de democracia para alunos e seus familiares. Por isso, algumas outras questões podem ser feitas e a primeira delas é se a escola consegue informar toda a comunidade escolar sobre as atividades programadas, inclusive sobre prestações de contas. Uma boa forma de trabalhar é ter um mural em local bem visível, por exemplo.

Criar e fazer funcionar um Conselho Escolar também é uma medida louvável, envolvendo representantes de toda a comunidade escolar, desde os professores, passando por funcionários de apoio, até os próprios alunos e seus pais. Mas este grupo precisa ser capacitado para exercer suas funções e ter acesso às informações sobre a escola, além de ter o poder de definir as prioridades na utilização dos recursos.

Além destes conselhos, uma escola de qualidade também motiva seus alunos a se organizarem em grêmios ou qualquer outro tipo de grupo juvenil e também promove parcerias com outras instituições para financiamento de projetos que não sejam cobertos pelo orçamento ordinário.
A publicação completa dos Indicadores de Qualidade em Educação está disponível para download no site da Ação Educativa.

Educadores de Claim encerram discussão sobre Metodologias Participativas

A observação do caminho que cada experiência de educação popular percorreu para, a partir daí, traçar um desenho de metodologia. Esta foi a tônica da última oficina promovida este ano pelo Projeto Claim para os educadores das três entidades parceiras, que teve como tema central Metodologias Participativas e aconteceu na última sexta-feira, dia 24. Durante o dia, os educadores puderam apresentar um resumo da sistematização que fizeram de um de suas experiências com o público, textos que serão reunidos em uma publicação especial do projeto, ainda sem data para ser lançada.


Para o assessor da oficina, Luís Gonzaga Gonçalves, o trabalho desenvolvido pelos educadores da Casa Pequeno Davi, da Pastoral do Menor e da Associação Comunitária Nova Vida apresentou um nível excelente. “Registrar esta experiência é de fundamental importância para se estabelecer referências para o futuro”, observa.

Com um resultado tão bom, os educadores foram convidados a inscreverem seus trabalhos no 5º Seminário de Educação e Movimentos Sociais, que será promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba em dezembro próximo. As inscrições para apresentação de trabalho estão abertas até o dia 7 de novembro, mas para quem deseja participar como ouvinte, elas seguem até o dia 3 de dezembro. Mais detalhes podem ser conferidos no site do evento.

E dentro do Projeto Claim, a próxima atividade será a avaliação envolvendo os educadores, que acontece nos dias 20 e 21 de novembro, na Fazendinha, no bairro do Rangel, em João Pessoa.



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Indicadores de Qualidade em Educação - Ensino e Aprendizagem da Leitura e Escrita

Quase metade dos alunos brasileiros com 14 anos não sabe ler nem escrever. O dado do IBGE tem como base a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) realizada em 2007, cuja referência é a opinião das próprias famílias e não avaliações escolares. Sem ler e escrever bem, estes alunos acabam não absorvendo os conteúdos de outras disciplinas como história, geografia e até mesmo matemática.

Por isso, o número é uma boa referência para educadores que desejam que seus educandos progridam: é preciso investir no ensino e na aprendizagem da leitura e da escrita, que são a terceira dimensão para ajudar a verificar o nível de qualidade da educação oferecida por uma escola, de acordo com a publicação Indicadores de Qualidade em Educação. Até porque, além da melhor compreensão dos conteúdos escolares, a leitura pode ser um instrumento importante na conquista da cidadania e dos direitos.

Mas para garantir que todos os alunos aprendam a ler e escrever, esta preocupação deve estar bem clara na proposta pedagógica da escola e envolver todos os profissionais, principalmente os que trabalham diretamente com a alfabetização inicial. E as famílias também devem estar envolvidas neste processo para que ele seja mais eficiente, estimulando a leitura em casa. Para saber se tudo isto está acontecendo, é preciso observar se esta proposta existe e se os educadores estão cumprindo seus planos para alcançarem os resultados esperados.

Como para ler é primeiro preciso ter acesso aos textos, outro detalhe importante é saber se livros e outros materiais estão disponíveis de forma a aguçar a curiosidade do público. Da mesma forma, o professor deve ter o hábito de contar diariamente histórias para suas turmas, assim como estimulá-los a exercitar esta habilidade em tarefas do cotidiano.

Turmas de alfabetização inicial não podem passar de 25 alunos e ao completar 8 anos, a criança deve ter domínio básico da leitura e da escrita. Também é importante verificar se os alunos lêem pelo menos um livro por mês, manuseiam os livros didáticos e têm acesso a outros tipos de texto em sala de aula ou na biblioteca – que deve não apenas facilitar o acesso à leitura, mas estimular as visitas e empréstimos.

A publicação completa dos Indicadores de Qualidade em Educação está disponível para download no site da Ação Educativa.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Indicadores de Qualidade em Educação - Prática Pedagógica e Avaliação

Um dos desafios enfrentados por qualquer educador em sala de aula é fazer com que seus educandos aprendam e adquiram o desejo de aprender cada vez mais e com autonomia. E por isso, a prática pedagógica utilizada para atingir esta meta é um dos Indicadores de Qualidade em Educação. Dela fazem parte as rotinas de planejamento e de avaliação que norteiam o trabalho dos educadores, que devem também considerar o conhecimento prévio dos alunos e o contexto em que eles vivem na hora de programar as atividades.

Para avaliar se uma escola oferece educação de qualidade, várias questões relacionadas à prática pedagógica devem ser consideradas e a primeira delas é se o projeto político-pedagógico da escola é bem definido e conhecido por todos que dela participam. O Projeto Político Pedagógico é o documento que define as intenções educativas da escola, suas diretrizes e metas e sua proposta pedagógica. Ele deve obedecer ao que está previsto na Lei de Diretrizes e Bases e também ser conhecido pela comunidade escolar, inclusive pelos pais.

O planejamento deve ser parte da rotina dos professores, que também devem trocar idéias entre si e prever o uso de recursos pedagógicos variados, além de considerar o que os alunos já sabem sobre os temas que serão tratados em sala. Mas este planejamento também exige uma compreensão do ambiente externo à escola, propondo soluções para os problemas enfrentados pela comunidade e observados através de visitas guiadas, por exemplo. As dificuldades pessoais de cada aluno são outro item a ser considerado na hora do planejamento, que precisa agregar portadores de deficiências, além de etnia, orientação sexual e classe social distintas.

Na hora de fazer a avaliação dos alunos, que é apenas uma parte do processo avaliativo, o educador deve considerar diferentes formas para que isto aconteça, não utilizando apenas provas. De qualquer forma, a transparência deve ser prioridade, permitindo que os alunos saibam bem o porquê de seus desempenhos, os conteúdos que exigem mais atenção e aqueles que eles já dominam, além de serem estimulados a fazerem uma auto-avaliação.

Para que tudo isso aconteça, é necessário que professores e coordenação pedagógica estejam atentos e permanentemente avaliando a aprendizagem dos alunos, sem esquecer de adotar um sistema de avaliação do resultado do trabalho dos profissionais da escola. A publicação completa dos Indicadores da Qualidade da Educação está disponível no site da Ação Educativa.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Projeto Claim emite certificado para educadores

O Projeto Claim vai disponibilizar certificados para os educadores que estão participando de sua formação, iniciada em abril de 2007. Para receber o certificado relativo às oficinas em que participou, o educador só precisa encaminhar sua solicitação para o e-mail projetoclaim@yahoo.com.br e aguardar nosso contato. Não é necessário estar no projeto desde o princípio para ter direito ao documento, mas a referência para sua emissão serão as listas de presença de cada oficina.
Solicite já seu!

Registros da visita de Concern Colombia ao Brasil

Vasculhando os arquivos de imagens do Projeto Claim, a assessoria de comunicação resgatou registros da visita de Siobhan McGee, diretora da Concern Universal na Colômbia, ao Brasil em maio do ano passado.

Siobhan veio conhecer a experiência de Claim em terras brasileiras e os parceiros do projeto, além de conversar um pouco com as comunidades e levantar informações sobre como o trabalho pode ser desenvolvido na Colômbia.

Mas a experiência colombiana também foi apresentada aos parceiros e à equipe da Concern Universal no Brasil, quando ela relatou todas as dificuldades enfrentadas por quem se dispõe a fazer este tipo de trabalho no país.

Qualidade em Educação - Ambiente Educativo

Entre todas as coisas que se pode observar em uma escola para verificar o nível de qualidade da educação adotada nela, a primeira é o ambiente educativo. Em uma escola de qualidade, este ambiente é permeado por valores como o respeito, a alegria, a amizade e a solidariedade, mas também a disciplina, a negociação, o combate à discriminação e o exercício de direitos e deveres. Por isso mesmo, a primeira dimensão a ser considerada na hora de avaliar os Indicadores de Qualidade em Educação é o ambiente educativo, o que pode ser feito através da observação de algumas questões.

Em relação ao estímulo à amizade e à solidariedade, por exemplo, é importante perceber se pessoas que chegam à escola com problemas pessoais, indiferente de serem professores, funcionários ou alunos, encontram colegas dispostos a ajudar. Se o ambiente é favorável à amizade, também é provável que os alunos gostem de estar nele e que a equipe trabalhe com alegria. Uma boa medida disso é observar se a escola promove confraternizações que envolvam não apenas os alunos, mas também pais e professores em um clima festivo.

A forma como os alunos e os profissionais da escola se tratam é outro item a ser observado: há respeito, mas também afeto, nesta relação? A mesma questão deve ser feita em relação aos pais, que devem valorizar o trabalho de quem ajuda a cuidar da educação de seus filhos, mas também merecem ser bem recebidos na escola.

Um item importante e que deve fazer parte da rotina até mesmo dos alunos menores está relacionado ao combate à discriminação em todas as suas formas. Por isso todos que estão envolvidos com o ambiente escolar devem ser tratados de forma igualitária independente da cor de sua pele, situação econômica de sua família, cargo ocupado na escola, sexo e opção sexual. E se os alunos demonstram atitudes discriminatórias, o professor deve estar atento para levar o assunto para sala de aula, tratando estas ações como motivadoras de sofrimento e humilhação.

Todas estas questões também devem estar permeadas por regras claras de convivência (definidas de forma colaborativa e envolvendo os alunos) e respeito a elas, com punições pré-estabelecidas para quem não as cumpre. Em todas as situações de indisciplina, no entanto, os profissionais devem atuar como mediadores de conflitos, utilizando sempre o diálogo e a negociação, estimulando este comportamento nos próprios alunos.

Para encerrar, uma escola só será considerada de qualidade quando ela tiver como uma de suas referências o Estatuto da Criança e do Adolescente, fazendo com que toda a comunidade escolar conheça o tema, que deve ser discutido em sala de aula, mas também balizar orientações para as famílias. Alunos portadores de deficiência, por exemplo, têm o direito de freqüentar as mesmas salas dos demais e crianças sem registros motivam uma intervenção e orientação aos pais.

A publicação completa dos Indicadores de Qualidade em Educação estão disponíveis no site da Ação Educativa.